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Entrevista de Marcos Cavalvanti para o Fenainfo Notícias

Uma parte da nossa crise é conjuntural: precisamos reconstruir o que foi destruído por mais de uma década de gestão irresponsável dos recursos do Estado. Mas a outra parte da crise é estrutural: é a falência de um modelo centralizado de intervenção na economia e na sociedade. Esta crise é uma crise global, mas no caso brasileiro só será enfrentada adequadamente se criarmos um ambiente favorável aos inovadores e empreendedores.

Confira a entrevista que Marcos Cavalcanti deu ao Fenainfo Notícias sobre o Big Data e o incentivo ao desenvolvimento tecnológico no Brasil.

"Precisamos ser mais agressivos no sentido de criar um ambiente favorável aos inovadores e empreendedores"



Qual a importância do Big Data para inovação, para o desenvolvimento do setor (leia-se empresas) de TI no Brasil ?​

Big Data ​não é só uma grande quantidade de dados ou de ferramentas capazes de lidar com dados desestruturados. Do ponto de vista do Crie é a maior plataforma de geração de conhecimento e inovação do século XXI. Esses dados nos ajudam a ver, caracterizar e compreender coisas que antes nem sabíamos que existiam. Também nos ajudam a descobrir causas e consequências de determinados problemas. Possibilitam ainda prever determinados acontecimentos a partir de padrões ou correlações entre fenômenos. O impacto de tudo isso é um empoderamento da nossa capacidade de fazer melhores escolhas. Onde quer que haja um ser humano tomando uma decisão, desde a mais simples até a mais complexa, lá estarão os dados digitais facilitando esse processo. 

​O setor de TI vai se desenvolver muito. Não se trata de uma onda passageira, mas de transformações profundas e de longo prazo na sociedade. ​

Para o senhor, os jovens brasileiros estão muito atrás dos demais por não ser tão difundido o ensino deTI, robótica etc nas escolas?

​No século XXI a programação deverá ser uma disciplina obrigatória. Ou todos nós saberemos programar ou nossas decisões serão "programadas" pelos algoritmos e robôs. O Brasil precisa colocar este conteúdo urgentemente nas escolas.  

O universo acadêmico, na sua opinião, está próximo da sociedade quando se fala em desenvolvimento tecnológico? A sociedade consegue ver esses reflexos de inovação oriundos das universidades?

​A universidade brasileira, com raríssimas e conhecidas exceções está de costas para a sociedade. Tanto na formação quanto na pesquisa e inovação. Na formação nos limitamos a formar empregados, pessoas que vão receber ordens de alguém. O que precisamos é estimular a cultura empreendedora nas universidades. Nem todo mundo precisa ser empreendedor, mas todos devem encarar esta possibilidade. Na pesquisa, estamos ainda mais atrás do resto do mundo. Capes e CNPq só querem saber de "artigos publicados em revistas indexadas", cada vez menos lidas e menos relevantes. Precisamos criar um ambiente que estimule a inovação e a criação de conhecimento voltado à resolução dos problemas da sociedade. ​ 


O senhor acha que os recursos para a pesquisa em tecnologia são bem distribuídos no País?

​De forma alguma. Hoje, quase 90% dos recursos para ciência e tecnologia vão para pesquisadores que fazem pesquisas totalmente desvinculadas dos problemas do país. Claro que nem toda pesquisa deve buscar resultados imediatos ou resolver problemas concretos. Uma parte da pesquisa é teórica e exploratória. Mas este tipo de pesquisa deveria ficar com 20% dos recursos, como no resto do mundo. Nosso principal esforço, ainda mais num país tão carente como o Brasil, deveria ia para a pesquisa tecnológica ligada à resolução dos problemas que afligem nossa sociedade. ​ 

E o Marco Legal da Inovação, a possibilidade de união entre universidade e empresas, qual a sua opinião ? E sobre os vetos, em especial o do artigo que previa a isenção dos tributos de Importação, sobre Produtos Industrializados, e do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante na compra de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados à pesquisa científica e tecnológica? 

​Os avanços obtidos com o Marco Legal são extremamente tímidos diante das necessidades e do atraso do Brasil. Precisamos ser mais agressivos no sentido de criar um ambiente favorável aos inovadores e empreendedores. Isto significa ter uma legislação menos burocrática, financiamentos mais adequados e estímulos à capacitação e a formação de redes de inovação. Não é nada muito complicado. A experiência internacional está cheia de exemplos do que funciona e do que não funciona. ​

O que o Brasil precisa para inovar e tornar suas inovações competitivas no mercado global? 

​O ambiente brasileiro não estimula a competição. Temos um capitalismo de compadres. Os financiamentos, as leis e a justiça estão organizados para privilegiar alguns em detrimento da competição justa. Só existe inovação em um ambiente aberto e democrático.




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